Ás vezes eu penso que por medo estou desperdiçando meu tempo e meu talento e aí sinto outro medo. O medo do castigo de Jesus quando me perguntar porque fiz isso. E não vai adiantar dizer que foi por medo, e Ele vai me dizer que foi por vaidade, preguiça e acomodação e não vou ter argumentos, nem justificativa. Vou ficar calada, olhando para Ele com aquele olhar de quem sabe que está errada, como uma gatinho encolhido e esperar que não seja inflexível no castigo, tenha misericórdia. Mas esta parábola me atormenta.
Medo da opinião dos outros, medo de enfrentar a vida, medo de levar fora, medo de ser humilhada, medo de errar, não aceitar as minhas limitações, saber que sou falível, que não sou boa o bastante. A vaidade de querer preservar um ego que se acha talentoso e não age por medo de errar e descobrir que não tem talento algum e insiste em preservar a mentira, a ilusão, vaidade.
Ou um ego que não tem mais ilusões e aceitou que é inútil, medíocre e desistiu de lutar, ficou paralisado, inerte. Desilusão, descrença, falta de fé, de coragem, preguiça.
Me cobro. Será que não posso viver meio isolada do mundo vivendo do meu jeito, no meu mundo, sem cobranças e exigências, serenamente, sem grandes alegrias e sem grandes tristeza, uma vida morna. O morno é medíocre, e Jesus vomitará os mornos (livro do apocalipse) Diriam que é uma vida vazia, sem grandes emoções, relacionamentos, mas as pessoas desiludem muito. Viver afastada e assim evitar desilusões. Não sei.
A outra eu me diria: Levanta, covarde. Nunca te dei o direito de ser covarde, de ficar no chão. Você tem o direito de errar, falhar, mas fugir não. Você tem o direito de ser fraca, chorar, esbravejar, gritar, mas depois levanta e age, seja forte, enfrenta, luta. Se não der não deu, mas tenta, o importante é tentar, fazer o melhor que você pode nas suas condições. Se fracassar, não importa, tenta de novo, não desiste. Se descobrir limitações, fraquezas e incapacidades, que tem gente melhor e mais capacitada e de maior valor, que você não é o sumo; Que seja. Você é você e tem o seu valor e tem o seu lugar no mundo. Deixa a mascara da vaidade cair e aceita a verdade, que é tão boa e libertadora. Deixa a cara limpa, deixa a chuva cair em seu rosto e sente a delicia da água e do vento em sua pele e se delicia, o resto é o resto. A opinião dos outros vale, claro, mas não tem o poder de mudar nada em você, respeita-a e segue, não deixa que te afete, é a sua que deve prevalecer. e vai em frente.
A parábola dos talentos é uma das mais conhecidas dentre as contadas por Jesus.
Segundo ela, um senhor que se ausentaria em viagem chamou seus servidores e lhes confiou seus bens.
A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro deu um.










